Primeiro fragmento
Acordou
imerso na claridade do sol.
A noite foi
intensa. Deitado às 4h, sentia, agora, o calor pulsar. Os sonhos ainda vivos se
confundiam com a realidade do suor escorrendo no rosto. A pele em contato com o
colchão irritava; fazia ressurgir a alergia.
Não
suportou. Abriu os olhos subitamente. Rompendo a drástica viagem pelo
Atlântico, a efêmera cegueira lhe afligiu. Bruscas mudanças tem dessas: inibem
momentaneamente o olhar.
Pouco a
pouco, recobrou o foco. Além da janela, a cidade mantinha seu ritmo. O vai e
vem dos carros, o ciclo do semáforo, a travessia – nas pausas – das pessoas. Da
sua cama, a vista é parcial. Levantou.
Espreitando-se no parapeito, percorreu rapidamente os extremos. A árvore de lá,
moradia do restante dos pássaros e dos sonhos das crianças, sofria com o tardar
da chuva. A exuberante copa de antes padecia, dando evidência ao retorcido dos
galhos. Cá, é a contínua cena: vermelho, verde, amarelo, vermelho... o que se
vê deitado.
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