domingo, 9 de março de 2014

Por vir


Primeiro fragmento

Acordou imerso na claridade do sol.
A noite foi intensa. Deitado às 4h, sentia, agora, o calor pulsar. Os sonhos ainda vivos se confundiam com a realidade do suor escorrendo no rosto. A pele em contato com o colchão irritava; fazia ressurgir a alergia.
Não suportou. Abriu os olhos subitamente. Rompendo a drástica viagem pelo Atlântico, a efêmera cegueira lhe afligiu. Bruscas mudanças tem dessas: inibem momentaneamente o olhar.
Pouco a pouco, recobrou o foco. Além da janela, a cidade mantinha seu ritmo. O vai e vem dos carros, o ciclo do semáforo, a travessia – nas pausas – das pessoas. Da sua cama, a vista é parcial. Levantou. 
Espreitando-se no parapeito, percorreu rapidamente os extremos. A árvore de lá, moradia do restante dos pássaros e dos sonhos das crianças, sofria com o tardar da chuva. A exuberante copa de antes padecia, dando evidência ao retorcido dos galhos. Cá, é a contínua cena: vermelho, verde, amarelo, vermelho... o que se vê deitado.

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